É muito comum os profissionais nas escolas se referirem ao alunos com deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista como “aluno de inclusão”.

Porém, a perspectiva inclusiva que direciona todo o ensino no nosso país, visa a garantia do direito ao ensino a qualquer pessoa, sem discriminação ou segregação independente de suas condições sociais, de saúde ou econômicas. Esta ideia vem no sentido de garantir que grupos historicamente privados do acesso à escola possam também frequentar qualquer modalidade de ensino.

Isto porque o ensino no Brasil e em vários outros países nem sempre foi universal; houve um tempo em que estudar só era possível para homens, brancos e ricos. Este contexto histórico repercute até hoje em nossa sociedade e por isso há a necessidade de criação de políticas específicas para diminuir esta desigualdade.

Sendo assim, quando se fala em aluno de inclusão, é preciso pensar em criar estratégias de ensino para todos os alunos da escola. Os alunos com deficiência e os com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) muitas vezes precisam de adaptações específicas, mas também alunos com condições socioeconômicas precárias ou alunos que vivem na zona rural precisam de algumas adequações, por exemplo.

Sendo assim, todos os alunos são de inclusão, ou seja, todo aluno deve ser acolhido na escola respeitando-se suas singularidades de vida e na forma de aprender.

Talvez você queira se referir aos alunos com deficiência

Se por algum motivo você deseja falar sobre o seu aluno que tem alguma necessidade educacional especial em função de algum diagnóstico médico, ou deficiência, a melhor forma de se referir a ele é aluno com deficiência ou aluno com… e então você descreve a característica, por exemplo aluno com TEA (Transtorno do Espectro Autista), aluno com paralisia cerebral, etc. Nada de dizer aluno especial, aluno portador de deficiência ou aluno autista, esquizofrênico, etc.

Pode parecer um excesso de cuidado, mas utilizar os termos mais adequados demonstra o seu respeito e o seu conhecimento a sobre da condição destas pessoas.

O termo “pessoa especial” caiu em desuso porque remete a uma espécie de romantização de condições de vida muitas vezes complicadas.

Sobre dizer “portador de deficiência” não é uma forma adequada porque a deficiência é uma condição definitiva, não é uma coisa que se pode portar e deixar de portar em algum momento.

Por que pessoa COM deficiência?

É preciso dizer aluno COM autismo ao invés de aluno autista, por exemplo, porque você demonstra que compreende que o aluno é muito mais do que o diagnóstico ou a condição de saúde, ele não se define apenas pelo que o diagnóstico diz dele. O aluno com alguma deficiência pode ser carinhoso, gostar de aviões, ter ciúme dos irmãos… Ele também tem seus gostos, preferências, sua personalidade própria. Ele tem as características da deficiência, mas tem muitas outras características também.

Além disso, a forma de tratamento pessoa com deficiência foi definida pelas entidades representativas da classe na Convenção pelos Direitos da Pessoa com Deficiência. Se é assim que eles preferem ser chamados, é assim que vamos chamá-los. Simples assim!

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